Pensando em parvoíces, e recordando o post com um título parecido que está ali mais abaixo, fico feliz por pensar que são mais as a que assisto do que aquelas que me acontecem... vêm-me à memória alguns episódios ocorridos o ano passado, no nosso tão querido Bairro Alto (que a partir de agora tratarei, carinhosamente, por BA)...
Ora, se considerarem que eu sou uma daquelas pessoas que nem gostam muito do BA (pelo menos agora; há uns anos ainda 'vivi' lá uns tempos), que se recusam a levar o carro para o BA (experimentem conduzir uma banheira...), que preferem estar calmamente sentadita com uma cerveja num local mais ou menos sossegado onde haja música (de preferência não muito alta) e, se ainda considerarem que o saudoso bar onde eu aterrava fechou há uns bons anos... o simples facto de eu ter ido, no ano passado, umas 5 ou 6 vezes ao BA, por si só, já é insólito!
Aquilo continua sempre mais ou menos na mesma, e pelo menos podemos contar sempre com as personagens já tradicionais como o(s) bêbedo(s) da(s) esquina(s), o(s) bêbedo(s) da(s) escada(s), o(s) bêbedo(s) do(s) passeios(s), o(s) bêbedo(s) da(s) ruas(s) e o(s) bêbedo(s) do(s) bares(s). Ainda me tentaram convencer que um tipo que por lá andava era o Jeremias (o fora da lei - vide Jorge Palma), mas como quando tentei ir atrás dele para confirmar (cantando a canção, claro...) me impediram, fiquei a achar que, se calhar, não era propriamente verdade.
Bem, fora o tradicional já descrito, ainda conseguem acontecer umas coisitas insólitas (que poderiam acontecer em qualquer lado, mas que por acaso aconteceram ali). Assim, aqui ficam:
(Outras) Coisas que me acontecem (no BA)- Estória I
Ia eu muito bem (atenção que, para mim, o "ia eu muito bem" funciona como o "era uma vez", e está presente no ínico de muitas das minhas estórias!)...
Como eu ia a dizer... ia eu muito bem, com duas amigas a calcorrear uns becos na tentativa de voltar para casa, isto depois de nos livrarmos da população (actividade também conhecida por "com licença, desculpe, com licença, desculpe, deixa passaaaaaaarrrr"), quando, estando a descer uma rua semi-íngreme, nos apercebemos de um pequeno reboliço nas nossas costas.
Olhámos para trás e vimos que vinham dois tipos a discutir pelo caminho, ou, mais precisamente, um vinha a disparatar e o outro a tentar acalmá-lo, estando toda a gente a afastar-se para os deixar passar. Como gostamos de seguir bons exemplos, chegámo-nos para o lado e deixámos os tipos passar. Ainda seguindo bons exemplos, ficámos, como toda a restante rua, a olhar para os tipos com os olhos e as bocas muito abertas. Lembro-me de ver alguns a acenar em desaprovação com a cabeça mas, muito sinceramente, não me lembro se fizémos isso ou não.
O irritado ia simplesmente pela rua abaixo a pontapear caixote do lixo atrás de caixote do lixo e o outro desgraçado continuava a tentar acalmá-lo enquanto fugia dos caixotes do lixo que voavam.
Eis que, numa das suas manifestações pontapeantes, a ave, com um excesso de elasticidade que não tinha, levanta um pézito acima do caixote e da sua própria cabeça e, com o impulso leva o outro pézito atrás. O resultado foi uma linda cambalhota no ar e um grande bate-cu que, penso eu, separaram o sangue do vinho ou cerveja e deixaram o moço estonteado, sentado, ou qualquer coisa parecida, no chão. Quanto ao colega, não me lembro, porque ele era definitivamente uma personagem secundária na trama.
A peça terminou, como qualquer boa peça, com uma ovação e um grande aplauso do público presente, os quais, mais uma vez, como gostamos de seguir bons exemplos, imitámos. :)
(Outras) Coisas que me acontecem (no BA)- Estória II
Acho que já ia praí na 4ª cerveja das últimas 4 horas (o que, para mim, representa algo perto do limite), quando nos sentámos lá nuns degraus quaisquer e eu insistia em cantar a canção do mês "Hips Don't Lie" (que os que me conhecem já a consideravam nessa altura "La Tortura").
Estava eu muito bem: "- Oh Baby wen iú tók laique dét..."
Quando passam duas camónes, uma se vira para mim com um ar que parecia assustado e guincha: "- Oh!!! I Thought you were a radio!!!"
Partimo-nos completamente a rir e o resultado óbvio foi que a canção do mês passou a ser também a canção do mês seguinte.
Moral da história: se não conseguir o contrato discográfico pela semelhança com a Jeniffer Lopez, hei-de conseguir pela imitação da Shakira. Agora só me falta aprender a dançar...